porto a 1 de junho de 2009
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“(...) A Imagem só pode entrar na corrente da consciência se for ela própria síntese e não elemento. Não há, não pode haver imagens dentro da consciência. Mas a imagem é um certo tipo de consciência. A imagem é um acto e não uma coisa. A imagem é consciência de alguma coisa.” in "A Imaginação" de Jean-Paul Sartre

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Subi ao monte e virei-me de frente para ele. Abri os braços e fitei-o. Aproximou-se tímido, descobrindo-me o rosto com um toque que percorreu a linha do meu pescoço. Senti-o frio, agradavelmente frio. Não resisti a dar um passo em frente indo ao encontro da confiante energia que o tomava. Uma delicada e envolvente força, que não se inibiu de trespassar os poros da textura que me cobria. Senti-o frio, agradavelmente frio. Deixei-me embalar no seu vasto corpo que vagueava pelo meu. Permiti que me invadisse os pensamentos que levitaram à sua presença. Senti-o frio, agradavelmente frio. Apoderou-se de mim um desejo… mas sei que estava, como sempre está… de passagem, o agradável vento…








Recordo-me frequentemente do momento em que nos rimos juntos. Não te disse mas enquanto me ria senti vontade de chorar. Sentia-me feliz. Senti-te feliz. Hoje, quando me lembro continuo a ter vontade de chorar. Senti-me feliz e isso faz-me sorrir. Os segundos que se seguiram foram de silêncio. Um silêncio acompanhado de uma ausência de movimentos. Nada que denunciasse uma pergunta perdida em sucessivas sinapses. Não queria perguntas, queria apenas as respostas que me trazias no olhar, nos gestos, na voz, em tudo o que em ti falava mesmo que não pronunciasses uma palavra. Confiares-me o teu pensamento. Descansar em ti a minha vida nesse toque que nos ligava. Sentir a leveza com que nos sustentávamos. Gravei este momento, como sendo, de entre todos, o que mais quero que me pese.



"De repente senti uma profunda inveja das pessoas que viviam num mundo normal"
"E dou por mim a perguntar: onde é que está a lógica de tudo isto, se é que existe alguma coerência neste mundo?"
in "Crónica do Pássaro de Corda" de Hakuri Murakami












Pinto num tom abaixo, o mesmo tom que sai do som da minha harmónica... notas de pensamentos que o tempo grava.

